O machismo nosso de cada dia

temer ministerio

Quantas vezes você, mulher, já teve seu trabalho explicado por outra pessoa? Quantas vezes alguém se apropriou das suas ideias para falar em público? Quantos homens já interromperam a sua fala e explicaram de novo seus argumentos, como se você não tivesse sido clara e objetiva o suficiente? Quantas vezes você já ouviu que precisava se casar, ter filhos, formar uma família? Porque mulher de verdade quer ser mãe, mulher de verdade está disposta a abdicar da sua vida profissional em função da família, porque mulher de verdade não contraria seu marido na frente dos outros, porque mulher de verdade tem que se vestir de forma adequada.

Quantas vezes você já ouviu que sua roupa é inapropriada para sair na rua ou para trabalhar porque poderia passar uma imagem negativa sobre você? Quantas vezes a sua competência técnica e intelectual já foi questionada no trabalho sem nenhum fundamento claro aparente? Quantas vezes você já ouviu que fulana não foi promovida porque é mulher e se engravidar vai ter que sair de licença maternidade?

A educação se dá por meio de exemplos, você cria consciência crítica coletiva na população quando você mostra, por meio dos seus atos, o que efetivamente faz para combater o machismo, por exemplo. Quando você, presidente do país em exercício, escala uma equipe técnica de governo composta exclusivamente por homens, você está dando exemplo. Neste caso, um exemplo negativo.

O símbolo está na imagem acima. Mulheres não estão aptas a ocupar o alto escalão do governo? Foi uma equipe montada às pressas, emergencialmente, numa situação completamente atípica. Por isso talvez não tenha nenhuma mulher ali. Foi mesmo? Não era possível prever que o impeachment se aproximava a galope e que um novo governo se formaria?

O machismo perdura e ganha força pela sutileza com a qual ele é exercido. O pior machismo não é aquele que se manifesta pela voz dos radicais sensacionalistas que emitem opiniões absurdas e indefensáveis, o pior machismo é o que vem pelos comentários reproduzidos anos a fio na mesa do almoço da família “parabéns, você cozinha muito bem, já pode casar”, o pior machismo é que o censura seu short curto para não instigar o desejo masculino, que culpa a vítima do assédio pela agressão sofrida. O pior machismo é aquele fantasiado de “proteção”, o pior machismo é aquele que termina com “mas era só uma piada”, o pior machismo é aquele em forma de justificativa “mas ele nomeou a equipe a toque de caixa, não deu tempo de colocar nenhuma mulher lá”, o pior machismo é aquele que vem em forma de privação “você não pode jogar futebol porque é coisa de menino, você não pode usar roupa azul porque é cor de menino, você não pode ser astronauta porque é profissão de menino, você não pode ir brincar na rua porque senão os meninos vão pensar mal de você”.

O exemplo dos governantes, dos pais, dos professores, dos chefes é o que forma e constrói o senso crítico de uma sociedade. As atitudes das pessoas que estão no poder são reproduzidas, mesmo que inconscientemente, pela nação inteira. Não questionar isso é uma forma de retrocesso, é uma forma de manter as amarras, de adubar o preconceito, o tratamento desigual e a opressão.

É por isso que eu luto, é por isso que eu não me calo, é por isso que eu questiono.

O presidente em exercício não deu um bom exemplo e se você não compreendeu isso de forma plena, você precisa refletir mais. Muito mais. A luta contra o machismo não é partidária, não é pró ou contra o impeachment, não é pontual. A luta contra o machismo é contínua, diária e desgastante.

Por isso eu não me calo, por isso eu sigo em frente, por isso eu estou firme. Por isso tudo e por saber que eu não estou sozinha.

Vamos em frente!

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