O machismo nosso de cada dia

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Quantas vezes você, mulher, já teve seu trabalho explicado por outra pessoa? Quantas vezes alguém se apropriou das suas ideias para falar em público? Quantos homens já interromperam a sua fala e explicaram de novo seus argumentos, como se você não tivesse sido clara e objetiva o suficiente? Quantas vezes você já ouviu que precisava se casar, ter filhos, formar uma família? Porque mulher de verdade quer ser mãe, mulher de verdade está disposta a abdicar da sua vida profissional em função da família, porque mulher de verdade não contraria seu marido na frente dos outros, porque mulher de verdade tem que se vestir de forma adequada.Leia mais »

Capítulo 3: “Girl, put your records on, tell me your favorite song. You go ahead, let your hair down.”

IMG_20150918_150709Em meio ao caótico trânsito do Vietnã, depois de atravessar as ruas mais movimentadas e, aparentemente, sem leis do mundo, me senti à vontade para pegar as bicicletas do hotel e ir à praia. Na verdade, eu não sei se era conforto e segurança ou preguiça extrema de ir andando (demoraria muito mais), e o calor era de matar, precisava de uma praia.

A bicicleta tinha uma cestinha linda e pouco ou nenhum freio, o banco não estava muito firme e a buzina era muito baixa para os padrões asiáticos (lá eles buzinam o tempo todo).Leia mais »

Capítulo 2: éramos seis!

Cópia de IMG-20150802-WA0013Por mais que o texto a seguir seja para todo mundo, ele é principalmente para a Gabi, para a Rê, para o Fernando, para o Pedro e para o Alex. Tem segredos só nossos, tem piadinhas internas e tem a experiência de ter viajado um mês juntos pelo sudeste asiático. Tem, em todo o texto, a plena consciência de que ele não expressa minha alegria e gratidão de forma completa, que ele não descreve nem 10% do que eu sinto e gostaria de falar, mas ele vem carregado de amor e simplicidade. Obrigada, meninos, vocês são demais! Aí está meu textão de “muito obrigada”.Leia mais »

Capítulo 1: Voltar é foda

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Foram 43 horas de viagem, contando tempo de voo e paradas em aeroportos. Foram 3 continentes nessas horas, longas horas. Imigração, passaporte na mão e uns 456 mini infartos a cada minuto que eu achava que tinha perdido o documento. Fiquei com uma dor bizarra na bunda e nas costas. Muito tempo sentada e depois de um mês viajando intensamente, achei que meu medo de avião tinha acabado. Até o primeiro aviso de turbulência chegando na Etiópia. As mãos suaram frio e passei outro cagaço. Pensava “até quando vou sentir esse medo toda vez que essa porra balançar? Não, isso não cai, não. É muito seguro”. Realmente é, realmente não caiu.Leia mais »

Sobre Uísque, porteiros e separações

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Poucas coisas me fazem sair de casa no meio da madrugada usando pijamas e carregando uma garrafa de Jack Daniels na mão, mas naquela noite eu precisava fazer isso. Olhava pro relógio com uma vontade ligeira de chorar, porque sabia que teria que trabalhar dali a algumas horas, mas, porra, quando sua amiga de anos te liga no meio da noite, aos prantos, dizendo que o noivado acabou, meu amigo, levanta a bunda da cama e vai encontrar com ela. Pela sorte divina ela era minha vizinha, precisei andar feito a maluca do pijama com uísque apenas algumas quadras.Leia mais »

A campanha, a novela e o preconceito

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Admita, nós fizemos tudo errado! Admita sim, a raça humana está dando claros sinais de que não deu certo. Olhe para você, olhe para mim, olhe para seus amigos. Estamos fazendo tudo errado, mas com a plena convicção de que estamos fazendo tudo certo!

Uma parte das pessoas se sente no direito de julgar e declarar, por A+B, conceitos relacionados à defesa da cidadania, da liberdade, da integridade física e psicológica, permeados pelas normas do direito que rege as relações civis num estado democrático, inundados por preceitos religiosos e achismos ignorantes.

“Olha, não é preconceito meu, mas….” eu já interrompo e solto um sonoro “É preconceito seu sim!”, porque não existe a menor possibilidade dessa frase se iniciar sem uma ideia completamente preconceituosa e inútil complementá-la.

Como se isso já não bastasse para meu caderninho de absurdos, eu ainda tenho que lidar com movimentos para boicotar empresas cujas campanhas publicitárias fazem alusão ao não preconceito. Eu vivo numa época em que o machismo é tolerado e dito como normal, afinal a sociedade é machista, e que se insultam mulheres o tempo inteiro por suas escolhas: não quer ter filhos? Puta! Não quer casar? Puta! Gosta de roupas curtas? Puta! Transa no primeiro encontro? Puta também! E quando o cara tem uma atitude babaca, o que ele é? Filho de uma puta, claro! E nessa mesma sociedade em que toleramos amplamente atitudes machistas, aceitamos agressões e ódios contra homossexuais. Acham um absuuuuuurdo termos uma novela em que duas senhorinhas se beijam e pregam o amor em horário nobre, mas bem normal quando nessa mesma novela, um homem é corrupto, trai sua esposa, não tem uma relação honesta com os filhos. Duas mulheres se beijando? Nãããããão! Um homem traindo sua família? Ahhh, ok!

Vivo numa sociedade em que diferentes religiões pregam cada vez menos tolerância e menos liberdade individual para o estabelecimento de padrões ditos corretos de uma vida em família e, tudo isso, em nome de Deus! Sério, cara, você realmente acha que Deus pensa essa quantidade de abobrinhas que seu líder religioso está falando? Você realmente acha que Ele não está ocupado com outras coisas mais importantes? E nem comece com o famoso “Mas o que eu vou falar pros meus filhos quando virem duas pessoas do mesmo sexo se beijando na rua?” você vai falar assim “filho, cuide da sua vida e respeite a escolha do outro.” Você vai conversar e explicar para ele que o mundo é vasto, diverso e escapa da nossa limitada compreensão. Você vai explicar para seu filho que não existe nada maior que o amor e o respeito, você vai mostrar para ele que não compete à igreja definir as normas da nossa sociedade, isso é dever do Estado e que o Estado deve ser, acima de tudo, justo e coerente. Eu sei, isso vai te gerar um trabalhão sem fim, seus filhos e você vão ter que ficar horas conversando, você vai ter que explicar e responder mais um monte de coisas que ele vai perguntar, mas, meu caro amigo, o esforço vale a pena. Você é responsável por um ser humano, ajude o planeta e transforme-o em uma pessoa boa.

Talvez o cansaço gerado pelo stress no trabalho, a saudade dos meus pais e a necessidade absurda por férias estejam me deixando um pouco radical. Talvez nem tooooodos nós estejamos tão errados assim, porque se você olhar bem, com serenidade, vai ver gente defendendo o direito soberano de sermos felizes, se você prestar atenção, tem ainda um monte de gente que quer que o mundo funcione de uma maneira mais suave, mais justa para todos, com menos distância entre ricos e pobres, com mais gentileza, carinho e respeito. Talvez não tenhamos que devolver e pedir desculpas, talvez seja necessário só recomeçar. Recomece hoje, então!

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